Como comprar no leilão da Receita Federal?

Veja como funciona o leilão da Receita Federal, como enviar proposta pelo sistema eletrônico e quais custos e riscos considerar antes de dar um lance.

Celular com o logotipo da Receita Federal na tela, apoiado ao lado de um notebook

Este site é um guia informativo independente e não possui vínculo com órgãos governamentais ou instituições bancárias citadas.

Celulares, notebooks, perfumes, relógios, carros e até lotes inteiros de mercadorias: tudo isso pode aparecer no leilão da Receita Federal. São bens apreendidos ou abandonados que o governo coloca à venda, muitas vezes com lance mínimo abaixo do preço de loja. A dúvida de quem nunca participou é sempre a mesma: como comprar no leilão da Receita Federal sem cair em armadilha e sem pagar mais do que o produto vale?

Este guia explica como funciona o leilão da Receita, o que você precisa ter antes de começar, como ler o edital, como enviar uma proposta e o que acontece depois que você arremata. Também mostramos os riscos reais, como custo de retirada e regularização de veículos, para que você decida com a conta feita.

Muita gente acha que leilão público é coisa para empresário ou para quem tem contatos. No caso da Receita Federal, pessoas físicas podem participar dos lotes destinados a elas, e todo o processo é eletrônico. Você não precisa ir a um salão de leilões nem contratar intermediário. Precisa de conta gov.br, paciência para ler o edital e um limite de preço bem definido.

Outra objeção comum é o medo de golpe. Ele tem fundamento, porque existem sites falsos que usam o nome da Receita para cobrar por produtos que não existem. A regra de proteção é simples: o leilão oficial acontece dentro do sistema da própria Receita, com acesso pela conta gov.br. Ninguém vende lote da Receita por mensagem, rede social ou boleto enviado por desconhecidos.

Os caminhos para comprar no leilão da Receita Federal

O sistema é um só, mas o tipo de lote muda bastante a estratégia. Os três caminhos mais comuns são:

  • lotes de mercadorias para pessoa física, como eletrônicos, roupas e objetos de uso pessoal;
  • lotes de veículos, como carros e motos, que exigem mais cuidado com a documentação;
  • lotes para pessoa jurídica, maiores e voltados a empresas.

Mais adiante também falamos de alternativas fora da Receita, como os leilões da Polícia Federal e os leiloeiros particulares.

Como funciona o leilão da Receita Federal

Os leilões da Receita são feitos pelo Sistema de Leilão Eletrônico (SLE), acessado pelo site da Receita Federal no portal gov.br. Para entrar, você usa sua conta gov.br. O nível de conta exigido (bronze, prata ou ouro) pode variar, então confira a regra no próprio sistema antes de chegar perto da data do leilão, porque subir de nível pode levar algum tempo.

Cada leilão tem um edital. É nele que estão a lista de lotes, o lance mínimo de cada um, quem pode participar (pessoa física, pessoa jurídica ou ambas), as datas de visitação, o período para envio de propostas, a data da sessão de lances, a forma e o prazo de pagamento e as regras de retirada. Tudo o que vale para aquele leilão está no edital, e só nele.

O processo tem duas etapas. Primeiro vem a fase de propostas: dentro do período do edital, você registra no sistema quanto está disposto a pagar por um lote. Depois vem a sessão pública de lances, em que os participantes com propostas válidas podem disputar o lote com novos lances em tempo real. Quem der o maior lance ao final arremata, seguindo as regras do edital.

Os bens são vendidos no estado em que se encontram. O comprador assume o risco de o item não funcionar, e não há troca nem devolução. Por isso a visitação, quando o edital prevê, vale muito mais do que qualquer foto.

Os tipos de lote e como comprar cada um

Lotes de mercadorias para pessoa física

São os lotes mais procurados por quem está começando. Costumam reunir eletrônicos, acessórios, roupas, brinquedos, perfumes e outros objetos, às vezes em unidades soltas, às vezes em pequenos conjuntos. A vantagem é o valor de entrada mais baixo e a logística mais simples de retirada.

Principais características

  • lance mínimo definido no edital para cada lote;
  • participação com CPF e conta gov.br;
  • itens vendidos no estado em que se encontram, sem garantia;
  • possibilidade de restrições de quantidade ou de uso, conforme o edital;
  • retirada pelo próprio arrematante, no local e prazo definidos.

Dica de uso: pesquise o preço do produto usado, e não do novo. Um celular de dois anos atrás, sem caixa e sem garantia, vale bem menos do que o mesmo modelo lacrado na loja. Se o lance mínimo já estiver perto do preço de um usado em bom estado, o lote não compensa.

Lotes de veículos

Carros e motos atraem muita gente, mas pedem cuidado redobrado. O preço pode parecer baixo, e ainda assim a conta final subir com transporte, reparos e regularização. Temos guias específicos sobre o leilão de carros da Receita Federal e sobre o leilão de motos da Receita Federal, com os detalhes de cada tipo.

Principais características

  • alguns veículos podem ser destinados apenas a pessoa jurídica ou vendidos só como sucata, conforme o edital;
  • o veículo pode estar parado há muito tempo, com bateria, pneus e fluidos comprometidos;
  • a regularização junto ao Detran fica por conta do arrematante;
  • o transporte até sua cidade costuma exigir guincho ou caminhão;
  • a visitação é a única chance de avaliar lataria, interior e motor antes do lance.

Dica de uso: na visitação, observe cheiro de mofo, ferrugem, estado dos pneus e sinais de batida. Se puder, leve um mecânico de confiança. Antes de dar lance, consulte um despachante sobre o custo e o prazo para regularizar aquele veículo na sua cidade.

Lotes para pessoa jurídica

Parte dos lotes é destinada só a empresas. Costumam ser lotes maiores, com mercadorias em quantidade, e podem ter regras sobre o uso que a empresa vai dar ao material. São interessantes para quem tem comércio ou atividade compatível com o que está sendo vendido.

Principais características

  • participação com CNPJ e acesso pelo gov.br vinculado à empresa;
  • volumes maiores, que exigem espaço e transporte adequados;
  • possíveis exigências de atividade econômica compatível com o lote, conforme o edital;
  • obrigações fiscais na revenda, como em qualquer compra da empresa;
  • mesma lógica de propostas e sessão de lances dos outros lotes.

Dica de uso: converse com o contador da empresa antes de participar. Ele consegue dizer se a atividade da empresa permite aquele tipo de lote e como a compra entra na contabilidade.

Outras opções de leilão

A Polícia Federal também leiloa veículos e outros bens. As regras e os canais são diferentes dos da Receita, e explicamos tudo no guia sobre como participar dos leilões de veículos da Polícia Federal.

Leiloeiros oficiais particulares vendem bens de bancos, seguradoras, empresas e órgãos públicos. Costumam ter mais lotes e datas, mas cobram comissão, cujo percentual aparece nas condições de cada leilão. Nossa lista com os melhores leilões para participar ajuda a começar a pesquisa.

Leilões judiciais vendem bens penhorados em processos. Exigem atenção extra a dívidas que acompanham o bem e ao que o edital diz sobre elas, o que os torna mais indicados para quem já tem alguma experiência.

Por fim, órgãos estaduais e municipais também fazem leilões de veículos removidos e bens públicos inservíveis. Vale acompanhar os sites oficiais do seu estado e da sua prefeitura.

Passo a passo para comprar no leilão da Receita Federal

  1. Crie ou atualize sua conta gov.br e confira qual nível o Sistema de Leilão Eletrônico exige.
  2. Acesse o site da Receita Federal no portal gov.br e procure a área de leilões para ver os editais abertos.
  3. Escolha um edital da sua região, porque você terá de retirar o lote pessoalmente ou pagar transporte.
  4. Leia o edital inteiro: quem pode participar, lance mínimo, datas, pagamento e retirada.
  5. Visite os lotes que interessam, se o edital prever visitação, e anote o estado de cada um.
  6. Pesquise o preço de mercado de itens usados parecidos e defina o valor máximo que você aceita pagar, já descontando transporte e reparos.
  7. Envie sua proposta no sistema dentro do período indicado no edital.
  8. Participe da sessão de lances na data marcada e pare quando chegar ao seu limite.
  9. Se arrematar, pague na forma e no prazo do edital e guarde todos os comprovantes.
  10. Retire o lote no local e no prazo indicados e, se for veículo, comece a regularização.

Dúvidas frequentes sobre o leilão da Receita

Qualquer pessoa pode participar?

Pessoas físicas podem participar dos lotes destinados a elas, e empresas participam dos lotes para pessoa jurídica. O edital diz, lote por lote, quem pode dar proposta. É preciso ter conta gov.br no nível exigido pelo sistema.

Preciso ir a algum lugar no dia do leilão?

Não. As propostas e os lances são feitos pela internet. Você só precisa ir até o local indicado se quiser visitar os lotes antes e, depois, para retirar o que arrematou.

Os produtos têm garantia?

Não. Os bens são vendidos no estado em que se encontram. Um eletrônico pode não ligar, um carro pode precisar de reparos. Esse risco faz parte do preço mais baixo e precisa entrar na sua conta.

Tem taxa além do valor do lance?

O que você paga e como paga está definido no edital de cada leilão. Fora dele, considere custos que ninguém cobra na hora, mas que aparecem depois: transporte, armazenagem se você atrasar a retirada, reparos e, no caso de veículos, a regularização no Detran.

Dá para lucrar revendendo o que compro?

Pode dar, mas não há certeza. O lucro depende do estado do item, do preço que você pagou e dos custos até a revenda. E alguns lotes para pessoa física têm restrições de uso ou quantidade. Se a ideia é revender, some todos os custos antes de dar o lance.

Como sei se o site do leilão é oficial?

O leilão da Receita acontece no Sistema de Leilão Eletrônico, acessado a partir do site da Receita Federal no gov.br. Desconfie de páginas que pedem depósito ou Pix para reservar lote, de anúncios em redes sociais e de preços muito abaixo dos lances mínimos de editais reais.

Reflexões finais

O leilão público ficou mais acessível

Com o leilão eletrônico, quem mora longe de um grande centro passou a poder dar proposta sem viajar. A conta gov.br virou a porta de entrada, e o edital fica disponível para qualquer pessoa ler antes de decidir. Isso abriu espaço para compradores comuns em um mercado que antes parecia restrito.

O outro lado é que mais gente disputa os mesmos lotes, principalmente os de celulares e veículos. Em lotes muito procurados, os lances tendem a subir, e o desconto em relação ao mercado diminui. O ganho real costuma aparecer nos lotes menos óbvios.

Como aumentar suas chances de fazer um bom negócio

O comprador que se sai bem costuma ser o que mais lê. Ele lê o edital inteiro, visita o lote, pesquisa o preço de usado e define o limite antes da sessão de lances. Na hora da disputa, a emoção empurra o preço para cima, e ter o número anotado evita arrependimento.

Comece por lotes pequenos, de itens que você conhece bem. Assim você aprende o funcionamento do sistema, os prazos de pagamento e a retirada com pouco dinheiro em jogo, antes de partir para um carro ou um lote grande.

Antes de dar o primeiro lance no leilão da Receita Federal

Comprar no leilão da Receita Federal é possível para qualquer pessoa com conta gov.br e disposição para ler o edital. O caminho é sempre o mesmo: escolher o edital, visitar o lote, definir um limite, enviar a proposta e disputar a sessão de lances sem passar do valor que você decidiu. O preço baixo pode compensar, desde que você some os custos de retirada, reparo e regularização.

Se o seu interesse é um veículo, o próximo passo é ler nosso guia sobre o leilão de carros da Receita Federal. Depois abra os editais em andamento no site da Receita e comece a montar sua lista de lotes com calma.